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Jorge Eduardo
 
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5/6/2006
Ro(Rei)naldo, o Fenômeno
Salve, salve amigos!
O assunto já está ficando batido, mas por conta do que pensa o Parreira - e até acho que ele tenha um pouco de razão - deve perdurar mais um ou dois jogos. Lógico que também vou falar de Ronaldo, só que a minha ótica é diferente. É uma ótica de quem reconhece nele os serviços prestados ao futebol brasileiro. Na verdade não pretendo ser um advogado de defesa e muito menos um promotor público, até porque não creio que estes sejam papéis de uma imprensa séria.

Digo que é lamentável tamanha exposição negativa de um craque histórico da nossa seleção e do futebol mundial. Talvez hoje ele não seja encarado dessa forma, mas os números e os feitos certamente darão à Ronaldo esse status quando ele deixar a "vida para entrar para a história" do futebol, ou seja, talvez ele só venha a ser reconhecido assim quando aposentar as chuteiras. Uma pena, já que poderíamos reverenciá-lo ainda em "vida". Ronaldo é craque, Ronaldo é tão fera quanto foram os heróis do tri, do bi e de 58. Ronaldo é bicampeão mundial e tem três finais de Copa no currículo. Ainda hoje segura pelo menos três marcadores em se encalço - dois diretamente e outro na cobertura - e é sempre bom lembrar que pouquíssimo atrás de Pelé está Ronaldo na artilharia brasileira em copas do mundo.

Parreira acerta em querer insistir na teoria de que forma ele só readquirirá jogando. Isso é uma verdade e é tão óbvia quanto andar pra frente. Só o que não pode ser tão óbvio é o desgaste a que o próprio Ronaldo está se impondo. O de ficar contrariado por ser substituído, o de se deixar mostrar pesado e arrastado em campo, de ser humilhado por um João croata que tem a desfaçatez de dizer que é muito fácil marcar o fenômeno, quando certamente ele nem dormiu na véspera do jogo pensando no camisa 9 do Brasil e em tudo aquilo que ele representa. Eu disse humilhado? Pois é esse o termo que eu sinto para identificar o momento do Ronaldo. Ele está sendo humilhado publicamente.

Temos ainda mais 20 dias de Copa, se tudo correr bem. Pelas compleições físicas do Ronaldo, que é gordo para um atleta, mas modelo inalcançável para a maioria dos cidadãos mortais, 2 ou 3 quilos já fariam a diferença. Pela intensidade dos trabalhos físicos e entrando em 20, 30 minutos dos segundos tempos, fatalmente Ronaldo recuperaria a forma, se desejasse trabalhar em separado. Por que não, Ronaldo, deixar a vaidade de lado para tentar ser o nome da Copa nos momentos de decisão? Essa iniciativa deveria partir de você! Ninguém sequer ousa pensar nisso em respeito ao seu passado, porém, é você quem primeiro deve se dar esse respeito. Por que, Ronaldo, não sugerir ser uma explosiva opção no banco de reservas até as oitavas e se impor para as rodadas decisivas no melhor da forma? Por que não querer decidir mais uma Copa do Mundo, como foi em 2002? Insistindo, Ronaldo, você será apenas mais um, ou na atual opinião pública, menos um. O bobo da corte, quando na verdade poderia ser novamente o Rei.

Na Alemanha, Hitler quis dominar o mundo através do ataque. Na própria Alemanha, Ronaldo, você poderá dominar, recuando. Um recuo tático, estratégico, sem a megalomania que dominou Hitler. Com a humildade de um verdadeiro Rei.

 

 
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