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Jorge Eduardo
 
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15/6/2006
5/6/2006
A defesa do Brasil.
Salve, salve amigos!

Que o Parreira começa a formar um time de trás para frente, a partir da defesa, não é novidade para ninguém, então, novidade seria o contrário Porém, a seleção brasileira não tem a necessidade de criar um ataque. Ela já tem, naturalmente, peças que reforçam esta característica ofensiva e poderia formar quadrados, pentágonos, hexágonos e por aí vai, ou alguém duvida? Fazer funcionar um time dessa forma é outra coisa, mas que poderia montar até um undecágono ( onze lados ) poderia.
Vejamos: Ronaldo, Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho; Juninho Pernambucano, Júlio Batista, Ricardinho e Alex; Nilmar e Fred. Ou outro onze, como se fala em Portugal, só com jogadores ofensivos e de qualidade. Para o Brasil isso é possível: Roger e Carlos Alberto, do Coríntians, Lúcio Flávio e Dodô, do Botafogo, Danilo e Ricardo Oliveira do São Paulo, Élber e Vágner, do Cruzeiro, Fernandão e Tinga, do Inter, Marcelinho Paraíba, Vágner Love, Elano, Renato... e certamente estou esquecendo uns vinte.

Agora vamos inverter essa análise. Já pensaram em se perdermos o Lúcio ou o Juan? Já viram que Cris e Luisão são os reservas? Pois é, Crís e Luisão foi o que sobrou. O Juan ninguém discute e nem nunca discutiu, mas e o Lúcio? Parceiro do finado Roque Júnior nas eliminatórias? Vocês lembram do Lúcio? Esse Lúcio era aquele Lúcio das eliminatórias? Claro que não. Essa defesa, aliás, foi construída pelo Parreira e é disso que eu quero falar. E mais, concordo com o Parreira: quero ganhar a Copa! Dar espetáculo deixa paras as competições de segunda linha ou para os amistosos. Deixa para os jogos fáceis.

Olha, méritos pro Parreira! Em 94 jogamos competitivamente e vencemos, em 78 fomos campeões morais (?), em 82, também. E daí? Chorei muito a perda de 82, mas gostei muito mais de comemorar o título de 94. Deu pra perceber a diferença? O Parreira fez a defesa funcionar. Os velhinhos saem pouco pro jogo, mas impõem um respeito danado. Pelos serviços prestados ninguém ousaria se meter nas costas de um Cafu ou de um Roberto Carlos e mais, ninguém ousaria atacá-los diretamente sem correr um risco. Tudo bem que a gente sabe que a situação deles hoje é diferente da do passado. A gente sabe que eles não saem tanto pro jogo porque já não têm aquele mesmo gás, mas ninguém precisa saber disso. Eles fixos atrás dão a sensação de que algum estratagema foi montado e que eles poderão sai a qualquer momento pra fazê-lo funcionar. Conseqüência disso é que quase todos os ataques que sofremos vieram pelo meio e convenhamos que enfrentar um Emerson ou um iluminado Zé Roberto é difícil. Gilberto Silva é dos melhores volantes do mundo e os zagueiros, caso os homens de meio sejam superados, são zagueiros mesmo. O Juan com um pouco mais de técnica, mas tão zagueiro quanto o Lúcio. Enfim, com esse domínio do jogo, em tese, ficaria fácil fazer a seleção rodar. Daí pra frente nem precisaria de tática.

Vamos observar o que dizem as estatísticas. Gamarra foi eleito o melhor zagueiro do mundo porque não cometia faltas. Sabe quantas faltas foram feitas pelo Lúcio? Zero! Na bola, sempre. Aquele brucutu desengonçado não cometeu uma faltazinha sequer em quatro jogos! O cara está demais! E jogando bonito, preciso! O Juan sai pro jogo e faz uma tabelinha incrível com o fenômeno. O Lúcio sai pro jogo e arma a jogada do segundo gol contra Gana. Gilberto Silva substitui Emerson e é o maior roubador de bolas das oitavas-de-final. O Zé Roberto é eleito o melhor do jogo em duas das quatro partidas, é o melhor ladrão de bola de todo o mundial, ao lado do Lúcio, com quatorze desarmes e o Dida, até sorrindo está! O Parreira está mostrando que não é só o ataque que pode jogar bonito, que a defesa também é tão bonita, quanto importante.

É ou não é tão encantador o efeito que um carrinho preciso do estabanado do Lúcio, salvando um lance de perigo seguido de uma arrancada que arma um gol, quanto um drible do Ronaldinho Gaúcho? Em princípio pode parecer meio exagerada essa comparação, mas faça a experiência: limpe seu coração de preconceitos e experimente. Observe, numa situação de perigo, como é bonito e aliviador um carrinho ou outro tipo e desarme preciso. Na bola. Perfeito. Não somos, ainda bem, a seleção Suíça, mas levamos apenas um golzinho em 360 minutos da Copa! Temos a segunda defesa menos vazada de uma Copa do Mundo das mais competitivas dos últimos tempos. Do meio para frente, mesmo sendo ao lado de Alemanha e Argentina o melhor ataque com dez gols e tendo o maior goleador da história da competição, espero que a Copa do Mundo comece agora. Do meio para trás já somos "O Time"!


* Ronaldo, depois me dá a receita desse remédio e a dieta que a nutricionista de passou;

* Que pronúncia é essa que repórteres, narradores e comentaristas estão fazendo dos nomes estrangeiros...? De dar pena! Não custava nada pesquisar antes de abrir a bocarra;

* Sede de vingança contra a França? Beba água que passa. Copa do Mundo é coisa séria!

 

 
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