Colunas
Jorge Eduardo
 
Colunas anteriores
29/6/2006
15/6/2006
5/6/2006
Quadrilha
Salve, salve amigos! Em menos de um mês acaba o campeonato brasileiro, o ano do futebol nacional, o contrato de Cuca e de algumas peças importantes do time e esses cinco jogos podem decidir muita coisa. Muito mais do que a nada simples vaga na Libertadores da América. Essa reta final pode decidir a continuidade de um processo que se mostra vitorioso e que se for levado à cabo como o planejado, tem tudo para render frutos interessantes a partir de 2007 e ser o melhor dos últimos anos do Botafogo.

A diretoria estará apresentando nova proposta ao técnico Cuca ainda esta semana. Contrato de dois anos, o que em tese traria uma certa estabilidade ao treinador, e salário compatível não só com a importância adquirida pelo técnico, mas com a realidade hoje do clube. No caso de uma Libertadores em 2007, essa realidade financeira mudaria e, muito provavelmente a proposta de renovação também. Além do novo contrato, os dirigentes estão oferecendo uma estrutura ainda melhor para o trabalho da próxima temporada e o grande trunfo é a volta do Caio Martins para jogos no Campeonato Brasileiro e Copa Sul-americana, se for o caso. Portanto, é legítimo dizer que além dos esforços dos dirigentes, o processo de continuidade depende também dos pés dos jogadores e, óbvio, da decisão do técnico.

O que pesa contra essa tomada de decisão por parte do Cuca é a proposta que recebeu do mundo árabe. Cuca espera que os árabes depositem a metade do que lhe foi oferecido para assinar contrato com eles, já que atualmente os históricos de clubes árabes, xeques e príncipes, não são mais tão favoráveis como eram há 20 anos. Em termos de Brasil, os dirigentes alvinegros crêem que a proposta botafoguense seja bastante competitiva. Além disso, Cuca, se ficar, terá que promover um corte no grupo e dispensar não só aqueles que não têm feito parte do time, como algumas peças que já foram preciosas em passados muito recentes, o que não será nada fácil. Ruy não permanecerá. Além de ficar sem contrato no final do ano, o jogador não conta com a simpatia irrestrita de Cuca. Quando da demissão do então treinador Carlos Roberto, o jogador foi colocado como um dos responsáveis e, com o próprio Cuca, andou tropeçando na indisciplina tática dentro de campo, sendo até barrado em alguns jogos. Outra liderança que não tem apoio irrestrito do treinador, muito embora haja respeito na relação com os dois casos, é a do zagueiro Scheidt, que até a braçadeira perdeu sob o comando do treinador. Ambos, Ruy e Scheidt, têm contra si o fato de serem rotulados como conselheiros do presidente Bebeto de Freitas e da direção do futebol alvinegro, o que conflita em algumas cicunstâncias com as tomadas decisão da comissão-técnica. O grande problema nesse segundo caso é que Scheidt já renovou contrato, embora este contrato ainda não tenha sido registrado na CBF.

Cuca já apresentou um planejamento de cargos e salários para o futebol do Botafogo, onde quem tem mais peso e prestígio ganha um teto pré-determinado e quem está iniciando sua trajetória fica com o piso. O treinador, ainda dentro de um planejamento, quer contar com no máximo 28 atletas e de preferência jovens que tenham a ânsia de conquistar e se posicionar. Aliás, essa é uma tônica de seu trabalho por onde passa: renovar e revelar, mesmo que sob o risco de parecer contrário aos veteranos ( vale lembrar de Zinho, no Flamengo e Sérgio Manoel, no próprio Botafogo ).

Muitas são as decisões para um futuro que se anuncia promissor e igualmente muitos são os “se” deste momento. O Botafogo é uma espécie de “Quadrilha”, poema de Carlos Drummond de Andrade: João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Botafogo, que amava Cuca, que amava Libertadores, que amava Lilí que não amava ninguém. O problema é que João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se, que Cuca pode ir para as Arábias, que o Botafogo pode ficar a ver navios e que Lilí casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história...

 

 
  >> Voltar <<