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Tonico Bittencourt
 
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Razão e Coração

Sempre acreditei que a Seleção Brasileira estaria entre as quatro semi-finalistas. Ainda mais quando se confirmou a França como adversária. Um time velho, como o do Brasil, porém sem o brilho de 1998. Nossa Seleção vinha progredindo, a passos pequenos é verdade, mas progredindo. Vimos que nossos reservas não iriam tremer no momento que fossem chamados. Nossa defesa, sempre criticada, nesta Copa foi o ponto alto do time, mesmo com um meio campo que não era tão marcador como em 1994.

E até o Parreira nos surpreendeu em vários momentos. No jogo contra o Japão, colocando cinco reservas em campo ( Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Juninho e Robinho ). Na verdade criou uma dor de cabeça para ele, pois todos entraram muito bem. Alguns críticos falavam que foi contra o Japão, time ingênuo, a minha opnião é que a seleção japonesa tinha que atacar e não jogar como Croácia e Austrália, com isso ficou mais fácil o toque de bola, mas os reservas fizeram até mais do que o esperado.

Contra Gana, como o gol saiu logo no inicio, pensei que o Brasil fosse jogar com toques mais rápidos e objetividade. Mas me pareceu que o time achou o jogo resolvido e só se esforçaram quando eles tomavam algum susto de Gana.

Já no jogo contra a França, Parreira novamente surpreendeu a todos colocando o Gilberto Silva e o Juninho Pernambucano, tirando o Emerson, por contusão, e o Adriano. Fez o que todos pediram durante a Copa, colocou o Ronaldinho Gaúcho, que até então não tinha aparecido na Alemanha, no ataque, como joga no Barcelona e o Ronaldo junto com ele no ataque.

A idéia pareceu muito boa, no inicio do jogo o Brasil apertou a marcação e espremeu a França no seu campo de defesa. Só que como em outros jogos, não chutou tanto a gol, e a França equilibrou, marcando o Juninho Pernambucano, que deveria ser o motor do time e deixando o Zidane solto. O Brasil vez justamente o contrário, deixou o Juninho marcado, pois o Kaká não estava em um dia inspirado, e deixou o Zidane soltou. Com isso o capitão francês comandou todo o jogo. Jogou onde e como gosta, um exemplo para os últimos técnicos do Real Madrid, que insistiram em coloca-lo mais atrás. Deveriam gravar o jogo e mostra-los aos nossos meio-campistas como devem se portar. Simplicidade e objetividade, passes precisos, dois lençóis, um em Ronaldo outro em Gilberto Silva, que sofreu o diabo para marca-lo. Se colocando aos lados do campo, ora no centro, lançando e dando toques simples que sempre deixavam a bola limpa, para um companheiro ou para ele mesmo.

Num lance de bola parada, uma falha do Roberto Carlos, que estava amarrando as chuteiras, deixou o Henry entrar no segundo pau sozinho e concluir para o gol. A única falha da nossa defesa na Copa inteira. Depois disso o Parreira tentou tudo que estava ao seu alcance, porém seria necessário no mínimo dez substituições para que a Seleção Brasileira mudasse o jogo. Dez seria um exagero pois os zagueiros, Juan e Lúcio, e mais o Zé Roberto jogaram tudo que puderam. Todo o restante da seleção fracassou no sábado.

Gilberto Silva levou um baile do Zidane, Roberto Carlos e Cafu, só apareceram na marcação, e nem sempre levando vantagem. Falavam o tempo todo que o Adriano não poderia jogar com o Ronaldo, mas o que se viu foi que o Juninho Pernambucano, não pode jogar com o Kaká. No jogo contra o Japão o Kaká sumiu do jogo, contra a França foi pior sumiram os dois. Ronaldinho Gaúcho comprovou a tese de que os melhores do mundo não conseguem ganhar e consequentemente jogar bem em Copa do Mundo.

Ele não foi a Alemanha... Foi a grande frustração da Copa. Incrível como ele não joga pela Seleção um décimo do que joga em clubes. Vamos ver daqui para a frente.

Foi uma tarde lamentável para o Brasil, do ataque para frente nada funcionou. E o time da França jogou o que não jogou na Copa.

Só não é aceitável a desculpa que tivemos pouco tempo para treinar, pois todas as seleções tiveram o mesmo tempo e, por exemplo Alemanha e França, conseguem jogar e ter o seu modelo de jogo em cima da tática, coisa que passou longe da seleção Brasileira.

É o fim de um ciclo da Seleção Brasileira, que só contou com uma geração bi-campeã, 58/62. Recordes quebrados por nossos laterais e por nosso grande atacante.

Parabéns ao Felipão, que com um time muito fraco vai levando-os aos trancos e barrancos, dando a sua contribuição ao lado do campo.


 

 
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